Colegiado debate desafios da educação

Colegiado debate desafios da educação

A Comissão de Educação recebeu, nesta segunda-feira (12), o professor Fábio Luiz Alves de Amorim. O convidado participou da reunião para apresentar a Rede Comunica Educação que, de acordo com ele, tem o objetivo de “divulgar o conhecimento científico, contribuir no debate sobre a garantia do direito à educação pública gratuita e de qualidade, e na defesa da escola pública no Brasil”. Amorim ainda esclareceu que a iniciativa atua na “manutenção e desenvolvimento da educação básica e valorização dos profissionais de educação”.

Para o professor, a educação, de um modo geral, vem enfrentando muitos retrocessos no Brasil, especialmente em relação aos direitos dos profissionais do magistério, ao financiamento de pesquisas e também à educação inclusiva. “Nós viemos nos apresentar para qualquer tipo de discussão e apoio em torno das questões discutidas na Comissão de Educação”, afirmou.

Em relação à educação no Espírito Santo, o professor apontou falta de diálogo com o governo. “Aqui no Estado, como política educacional, nós tínhamos um diálogo muito maior com a Secretaria de Educação (Sedu). Nós tínhamos, principalmente com a formação, um fórum permanente de discussão a respeito da formação no Estado”, comentou.

Fábio Amorim também apontou pontos que considera como retrocessos na Resolução 2/2019, do Ministério da Educação (MEC). O texto define as diretrizes curriculares nacionais para a formação inicial de professores para a educação básica e institui a Base Nacional Comum (BNC-Formação) para a formação desses educadores. O professor avaliou que “a legislação de 2019 retrocede às questões de avanço na formação inicial e continuada de professores”, e acrescentou que “a reforma do ensino médio é uma outra preocupação”.

Educação na pandemia

O educador falou também sobre os desafios da educação em tempos de crise sanitária. “Então a Rede (Comunica Educação) é, nesse cenário da educação, uma forma de luta. Ela é um impulsionamento para as políticas públicas, em nome do não retrocesso, em nome da valorização dos profissionais e do direito à educação. Neste período de pandemia, nós tivemos todas as cobranças entre voltar ou não, ensino remoto ou não, vacinação dos professores, mas os alunos ainda não estão nesse processo”, disse Amorim.

A gerente de formação de professores da Sedu, Mariana Pozzatti, explicou que a pandemia dificultou a realização de todo o planejamento da secretaria. “Pra todos nós a pandemia é uma surpresa desafiadora, infeliz em todos os aspectos. De alguma maneira ela acabou colocando algumas outras prioridades à tona. Isso não tem comprometido o âmbito da formação continuada, no sentido do que a gente gostaria de fazer ou o que a gente estava se propondo a fazer. Mas algumas ações como, por exemplo, a do fórum, precisam ser retomadas, e a gente vai estar verificando junto da gestão essa questão”, explicou.

O deputado Sergio Majeski (PSB) lamentou que lutas importantes, como valorização dos profissionais, qualidade da educação e inclusão, tenham que ser deixadas em segundo plano por conta de ataques. “De um tempo pra cá nós temos que dispensar energia e tempo pra defender o óbvio, aquilo que é inacreditável. Você chega ao século XXI e vê a escola sendo atacada, o profissional da educação sendo atacado, pesquisador sendo atacado, a ciência sendo atacada. Então quer dizer, uma energia que nós deveríamos estar utilizando para aquilo que já eram nossas lutas históricas, então, uma parte desse tempo você tem que se dedicar a defender aquilo que é inacreditável que em pleno século XXI nós estejamos presenciando”, criticou.

Os trabalhos foram conduzidos pelo deputado Bruno Lamas (PSB). O presidente do colegiado observou que, mesmo com todos os desafios impostos pela pandemia, as escolas estaduais seguiram cumprindo seus papéis. “É muito bom ver que as escolas, mesmo diante desse cenário, permaneceram abertas, para que os alunos, a comunidade escolar, tivessem uma referência. Que ali eles encontraram, inclusive, o alimento. Nós sabemos que a merenda escolar é para alguns alunos a principal alimentação do dia, nós vivemos essa realidade”, finalizou. 

 

Textos e fotos: Secom Ales

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